Sua lente de contato incomoda no fim do dia? O problema quase nunca é você
Desconforto no fim do dia. Ressecamento. A sensação de que a lente “some” no olho. Olho vermelho na hora de tirar. Aquela vontade de arrancar tudo às 18h. Se isso soa familiar, guarde uma frase: isso não é o preço de usar lente de contato.
Na maioria das vezes, é sinal de que algo na adaptação precisa ser revisto: o material, a curvatura, o regime de troca ou a saúde da superfície do seu olho. E boa parte desses casos é reversível.
Por que tanta gente desiste da lente
A principal causa de abandono do uso de lentes é o desconforto ligado a olho seco. O que quase ninguém conta é que olho seco, na maioria dos casos, não é uma contraindicação automática ao uso de lentes. É um fator que precisa ser avaliado e considerado na escolha do material e do tipo de lente.
Quando a lente é escolhida no chute, medindo só o grau, o desconforto vira regra. Quando ela é escolhida a partir do seu olho, o jogo muda.
Adaptação de lente é ato médico
Este ponto costuma surpreender: pela Resolução CFM nº 1.965/2011, a adaptação de lentes de contato é privativa do médico oftalmologista. Não é medir o grau e comprar na ótica ou pela internet.
A diferença é concreta. A adaptação envolve avaliar a curvatura da córnea, a qualidade do filme lacrimal, o material adequado ao seu olho e ao seu uso, e acompanhar a resposta ao longo do tempo. É isso que separa uma lente que você esquece que está usando de uma que te lembra o dia inteiro.
O que a consulta de adaptação inclui
- Exame da superfície ocular e do filme lacrimal
- Medida da curvatura corneana
- Definição de material, parâmetros e regime de troca
- Teste de conforto antes da prescrição definitiva
- Treino de colocação, retirada e higiene
- Acompanhamento periódico
Sobre infecção, sem dramatizar e sem esconder
Vale falar disso com clareza. Dormir de lente, tomar banho de lente ou nadar de lente aumenta de forma importante o risco de ceratite infecciosa, incluindo infecções raras e graves, como a causada por Acanthamoeba. São eventos incomuns, mas sérios.
A parte tranquilizadora: a prevenção é simples e depende quase inteiramente de orientação correta no início do uso. Higiene, tempo de uso e regime de troca bem explicados resolvem a maior parte do risco. É exatamente o que a adaptação médica entrega.
Quando procurar avaliação
Vale marcar uma consulta se você:
- usa lente e sente desconforto no fim do dia;
- já desistiu de usar lente por não conseguir se adaptar;
- compra lente sem prescrição ou renova sem consultar;
- tem olho seco e acha que por isso não pode usar lente;
- usa lente colorida sem acompanhamento;
- nunca foi orientado sobre higiene e tempo de uso.
Se você anda contando as horas para tirar a lente, talvez não seja o seu olho que não se adapta. Talvez seja a adaptação que precisa ser refeita do jeito certo.
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